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Empreendedor e empregado ao mesmo tempo

Ser empreendedor e empregado em outra empresa é uma atividade comum entre norte americanos e europeus. Mas há alguns anos esse modelo vem sendo adotado pelo Brasil. A tecnologia, por permitir mais mobilidade, não exige a presença física dos profissionais o tempo todo, o que auxilia os empreendedores. Para o consultor do Serbrae, Reinaldo Messias “No passado, era mais difícil administrar um negócio enquanto se mantém um emprego. Hoje é mais fácil, os meios remotos ajudam nesse controle”.

Mas mesmo com essa mobilidade manter dois trabalhos não é tarefa fácil. É necessário adotar um modelo eficiente para administrar o negócio sem precisar estar presente todo o tempo. “O segredo é administrar bem o negócio, para que ele exija o mínimo da presença do empresário. O papel estratégico continua sendo do empreendedor, mas a parte operacional pode ser feita por pessoas contratadas”, diz o consultor.

Um exemplo, Fernanda Cirino é dona da empresa Maria Bombom e Gerente de logística da multinacional Procter & Gamble. Para continuar empregada na P&G e manter seu empreendimento Fernanda conta com ajuda da família duas funcionárias e dois vendedores comissionados. O negócio é visitado uma vez por semana, durante a noite, depois de cumprir a jornada de seu emprego. Porém os sábados e domingos também são dedicados a Maria Bombom. Tudo é feito com muita organização e planejamento. “Em três anos pretendo abrir meu primeiro ponto de venda, que será gerenciado por minha mãe”, conta a jovem, que deseja manter o emprego na multinacional. “Gosto muito do que eu faço e dentro de uma empresa grande, como a que eu trabalho, consigo ficar por dentro de tendências de mercado e novidades”, ressalta.

Para Messias lidar com a dupla função depende de organização, transparência e disposição para encarar os desafios do emprego e do negócio. O consultor também ressalta que as parcerias, os fornecedores e clientes deve estar cientes que você nem sempre está presente. O consultor também explica “Manter os dois tem um custo. Fica mais caro administrar a empresa. Você tem que contratar pessoas de confiança para tocar o negócio e realizar a gestão remota dos recursos humanos”.

Para evitar problemas entre a vida de empregado e empreendedor, deixe claro o motivo da abertura de sua empresa, principalmente quando seu negócio esta no mesmo ramo que seu emprego. “Notificar a empresa em que você trabalha é importante. Fale qual é o seu propósito abrindo uma empresa. Um empregado pode abrir a sua empresa, não há problema nenhum nisso, desde que as atividades não sejam conflitantes”, recomenda o consultor.

Perder a eficiência como funcionário ou perceber que o negócio necessita de mais atenção
são indicadores de que talvez seja hora de optar por uma das atividades. A escolha é arriscada, pois muitos empresários que enfrentam a dupla jornada dependem da renda proporcionada pelo emprego.

É atenta a estes indicadores que a empresária Cida Blaz conseguiu gerir suas carreiras. Formada em história, Cida dava aulas na rede pública e partícula, além de manter um ateliê que comercializa doces finos. Com tudo, os sinais de que muita atividade ao mesmo tempo estava exaustivo, abriu mão das aulas na rede particular para se dedicar mais aos negócios. “Sempre gostei de história e do meu trabalho como professora, mas também sempre gostei de culinária. Fiz o meu primeiro bolo com seis anos” diz Cida.

Tornar-se um empresário e manter o emprego é possível, mas deve fazê-los com prazer! Segundo Reinaldo Messias, se não haver satisfação em ambos, há chances de culminar a perda do emprego ou do empreendimento. “Se você não estiver gostando da nova vida em dupla função, só vai ter prejuízo. E no final, perdem os dois, o emprego e o negócio”, alerta o consultor.

Fonte: Boletim do empreendedor