4 mitos sobre o design da Apple desvendados por um ex-funcionário

A Apple sempre foi sinônimo de design superior e vanguardista, mas pouco se sabe sobre o processo de design da empresa. A maioria dos funcionários da Apple nem pode entrar nos lendários estúdios da área. Por causa disso, foi-se criando uma aura em torno da empresa por meio de relatos e entrevistas, especulando como é ser um designer da companhia.

Até que Mark Kawano, ex-funcionário da Apple, resolveu romper o silêncio. Antes de fundar a Storehouse, Kawano foi designer sênior da Apple durante sete anos, onde trabalhou em projetos como Aperture iPhoto. Mais tarde, tornou-se evangelista de UX (User experience) da Apple. Em uma entrevista para a Co.Design, Kawano falou sobre a época em que era designer da Apple e citou 4 mitos existentes sobre a empresa e seus funcionários. São eles:

  1. A Apple tem os melhores designers

Segundo Kawo, é a cultura de engenharia e a forma como a organização está estruturada para dar suporte aos projetos que faz os produtos tão bons. Todos se importam e pensam em UX e design, não apenas os designers. Alguns especialistas dizem que um bom design deve começar do topo e que o CEO da marca precisa se ​​preocupar com design tanto quanto os próprios designers.

De acordo com Kawo, Steve Jobs trouxe essa estrutura para a Apple, mas ela só funciona porque não é uma ordem de cima para baixo, mas uma preocupação geral. Na empresa, os designers teriam a possibilidade de gastar bastante tempo na concepção de projetos sem se preocupar em mostrar serviço para garantir um lugar na empresa. Outro diferencial da Apple é a visão holística do projeto. Quando o designer trabalha em apenas um pedaço da interface, ele não consegue contemplar o modelo de negócio da empresa ou seguir estratégias e conceitos integralmente. Fica um gap entre ideia e produto final.

  1. O time de designers da Apple é infinito

O Facebook tem centenas de designers, o Google pode ter mil ou mais. Mas, de acordo com Mark, a maioria dos produtos da Apple foi concebida por um grupo relativamente pequeno, de cerca de cem pessoas. Ele conhecia todos os envolvidos e sabia o nome de cada um durante a execução dos projetos dos quais participou.

O ex-funcionário acredita que essa tendência está mudando agora e que o time de designers certamente está crescendo. Antes, grande parte das ideias vinha de Steve Jobs e fazia mais sentido trabalhar em pequenos grupos. Agora, há cada vez mais integração entre área de marketing, engenharia e design e, consequentemente, mais profissionais envolvidos em cada projeto.

  1. A Apple pensa intencionalmente em cada detalhe

Os produtos da Apple são frequentemente definidos por pequenos detalhes, especialmente aqueles relacionados à interação. As outras empresas tentam imitar essas peculiaridades, mas não conseguem. Por quê? É quase impossível desenvolver coisas realmente inovadoras quando você tem um prazo e um cronograma apertados. Um exemplo de ideia genial (e relativamente simples) e que foi concebida em um ambiente, como diz Kawo, mais boêmio do que se poderia imaginar de fora, foi a resposta ao usuário quando uma senha está incorreta.

Quando você digita uma senha errada, o local onde você digitou a senha sacode. Para Kawo, é difícil explicar logicamente de onde veio a ideia e como ela faz completo sentido quando se pensa em UX. Algumas ideias precisariam de anos para que fizessem sentido e fossem aplicadas comercialmente. Por causa disso isso, o time da Apple não descarta ideias sem antes analisá-las e procurar todos os benefícios contidos nelas.

  1. A paixão de Steve Jobs pela empresa era temida

Há uma história de que, na Apple, um designer deveria sempre escolher as escadas em vez do elevador, porque se encontrasse com Steve Jobs no elevador, ele perguntaria em que projeto o profissional estava envolvido e o que estava fazendo por ele. Nesse caso, duas coisas poderiam acontecer:

a) Steve Jobs odiaria o projeto e o designer poderia ser demitido;

b) Jobs adoraria a ideia e o projeto ganharia a atenção dele. O designer provavelmente perderia toda a noite, o fim de semana e as férias trabalhando no projeto.

A realidade, de acordo com Kawo, é que as pessoas que prosperaram na Apple eram as que compartilhavam do desejo e paixão de Jobs e queriam aprender e trabalhar com ele. Por causa disso, dedicaram-se de corpo e alma ao trabalho. Elas estavam dispostas a abrir mão de seus fins de semana e período de férias. Para o ex-funcionário, as pessoas que se queixaram de que isso não era justo simplesmente não enxergaram o valor de dar tudo de si para tentar criar o melhor produto possível, tendo que sacrificar a vida pessoal para chegar lá. Steve Jobs era completamente acessível e fazia de tudo para que o tratassem da mesma maneira que todos os colaboradores. Para Kawo, Jobs era super democrático e lutava para que o ambiente de trabalho também fosse.

Você acredita que essas histórias são apenas mitos? Compartilhe sua opinião nos comentários.