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BYD transforma os “haters” de carros elétricos em protagonistas de sua nova campanha

Quando uma marca consegue transformar críticas em conteúdo, ela deixa de apenas responder ao mercado e passa a participar da conversa. É exatamente essa lógica que está por trás da nova campanha da BYD.


A comunicação da marca chama atenção por colocar em evidência justamente um dos grupos que mais costuma questionar a expansão dos carros elétricos: os chamados “haters” dos veículos eletrificados.

A estratégia é interessante não apenas pela criatividade da campanha, mas pelo momento em que ela acontece. A BYD já deixou de ser uma novidade no mercado brasileiro e passou a disputar espaço diretamente com algumas das maiores montadoras do país.

Em abril de 2026, a empresa alcançou a liderança do varejo automotivo brasileiro, com 14.911 veículos emplacados no mês, representando 12,8% desse mercado. Segundo a própria BYD, mais de 250 mil pessoas e famílias brasileiras já haviam escolhido a marca.

Ou seja: a discussão sobre carros elétricos deixou de ser uma conversa de nicho.


Haters-de-carros-eletricos-protagonizam-nova-campanha-de-lancamento-da-BYD-campanha.jpg

A estratégia de transformar oposição em atenção


A campanha explorada pela BYD parte de um princípio muito poderoso no marketing: se existe uma conversa acontecendo sobre sua marca, participe dela em vez de tentar simplesmente eliminá-la.

Os carros elétricos ainda despertam dúvidas, comparações e resistência entre consumidores. Questões como autonomia, carregamento, manutenção, preço, durabilidade e adaptação à nova tecnologia fazem parte do processo de decisão.

Uma pesquisa divulgada em 2025 apontou que, entre dezembro de 2024 e janeiro de 2025, foram identificadas 18 milhões de buscas relacionadas a veículos eletrificados, sendo 38% delas relacionadas a dúvidas sobre funcionamento, custos, vantagens e desvantagens. O mesmo levantamento identificou cerca de 16 mil haters produzindo conteúdo contrário aos eletrificados, com alcance estimado de aproximadamente 2 milhões de pessoas.

Isso mostra algo importante para qualquer marca:

a dúvida também pode ser uma oportunidade de comunicação.


Por que utilizar os “haters” em uma campanha?


Do ponto de vista de branding, a estratégia é inteligente porque transforma uma possível ameaça em um elemento narrativo.

Em vez de dizer simplesmente:

“Os carros elétricos são bons.”

A marca cria uma conversa muito mais interessante:

“Sabemos que existem pessoas que não gostam. E queremos falar sobre isso.”

Essa mudança de abordagem gera curiosidade.

E curiosidade é um dos ativos mais importantes para uma campanha publicitária.

O consumidor que já conhece a BYD pode se sentir representado ou provocado. Quem ainda não conhece pode querer entender o motivo da discussão. E até quem é contrário aos carros elétricos pode compartilhar o conteúdo justamente para criticá-lo.

É aí que surge um dos efeitos mais interessantes da estratégia:

O consumidor pode ajudar a distribuir a campanha mesmo sem concordar com ela.


Veja a campanha:


O impacto no mercado automotivo


A campanha acontece em um momento particularmente importante para a BYD.

Em janeiro de 2026, a empresa já aparecia entre as cinco marcas que mais vendiam automóveis e comerciais leves no Brasil, com 9.801 unidades e 6,03% de participação.

No primeiro semestre de 2026, a BYD chegou a 99.075 veículos eletrificados emplacados, segundo dados citados pelo Motor1, enquanto os eletrificados representaram 17,85% do mercado brasileiro no período.

Esse crescimento muda completamente o papel da comunicação.

Quando uma marca pequena está entrando em um mercado, ela precisa explicar por que existe.

Quando uma marca começa a ganhar participação, ela precisa explicar por que merece continuar crescendo.

E é exatamente aí que campanhas que trabalham percepção, cultura e comportamento passam a ter ainda mais importância.


O consumidor não compra apenas o produto


Esse é um dos principais aprendizados da campanha para profissionais de marketing.

Um carro elétrico não é apenas um produto.

Ele representa:

  • uma mudança de comportamento;

  • uma nova tecnologia;

  • uma discussão sobre sustentabilidade;

  • uma mudança na relação com combustível;

  • uma nova experiência de condução;

  • uma escolha de estilo de vida;

  • e, em muitos casos, uma declaração sobre como o consumidor enxerga o futuro.

Por isso, a decisão de compra envolve muito mais do que preço e especificações técnicas.

Envolve percepção de marca.

E é nesse território que o branding ganha força.


Como uma campanha assim influencia possíveis clientes?


Podemos dividir o público em pelo menos três grupos.


1. Quem já gosta da BYD

Para esse consumidor, a campanha reforça a sensação de pertencimento.

Ele passa a fazer parte de uma espécie de comunidade que está acompanhando uma transformação do mercado.


2. Quem tem curiosidade, mas ainda possui dúvidas

Esse talvez seja o público mais importante.

A campanha chama sua atenção e pode estimular pesquisas sobre os veículos, comparativos, autonomia, preços e experiências de proprietários.

Ou seja:

a publicidade gera atenção → a atenção gera pesquisa → a pesquisa pode gerar consideração.


3. Quem rejeita carros elétricos

Curiosamente, esse público também pode ser valioso.

Mesmo que não compre um BYD imediatamente, pode ajudar a aumentar o alcance da campanha ao comentar, compartilhar e discutir o conteúdo.

Isso é especialmente relevante nas redes sociais, onde engajamento não significa necessariamente aprovação.

Uma publicação pode ser extremamente eficiente justamente porque provocou uma conversa.


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A importância de provocar uma conversa

Uma das grandes mudanças na publicidade contemporânea é que as marcas não competem apenas por espaço.

Elas competem por atenção.

E a atenção está cada vez mais disputada.

Uma comunicação tradicional pode apresentar:


Produto + preço + benefício + chamada para compra.

Uma comunicação construída para gerar conversa pode apresentar:


Conflito + curiosidade + identificação + debate.


A segunda tende a produzir muito mais possibilidades de interação.

É por isso que campanhas provocativas, bem planejadas, podem ter um impacto tão grande no reconhecimento de marca.


O que a campanha da BYD ensina sobre branding?


Para nós, da WeDoLogos, existe uma lição especialmente importante.

Uma marca forte não é construída apenas com um logotipo bonito.

Ela é construída a partir de um posicionamento claro, uma identidade visual coerente e uma comunicação capaz de traduzir aquilo que a empresa deseja representar.

A BYD está utilizando sua comunicação para reforçar uma ideia:

a mobilidade elétrica não é apenas uma tendência distante; ela já está acontecendo no Brasil.

E os números ajudam a sustentar essa narrativa.

Em abril de 2026, a BYD chegou ao topo do varejo automotivo brasileiro, superando marcas tradicionais como Volkswagen, Fiat, GM e Toyota naquele recorte.

Isso transforma a comunicação sobre “carros elétricos” em algo muito maior: uma disputa pela percepção de qual será o futuro da mobilidade.


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Branding é também saber ocupar espaço na mente do consumidor


Toda empresa quer ser lembrada.

Mas ser lembrada não significa necessariamente ser percebida da maneira correta.

Uma estratégia de marca precisa responder:

O que queremos que as pessoas pensem quando ouvirem nosso nome?

A BYD parece estar construindo sua associação com inovação, tecnologia, eletrificação e transformação do mercado.

E campanhas como essa ajudam a reforçar esse território.

Esse é um dos motivos pelos quais identidade visual, posicionamento e comunicação precisam caminhar juntos.


A grande oportunidade para as marcas


O caso da BYD demonstra que marcas que conseguem identificar uma tensão existente no mercado podem transformá-la em uma oportunidade criativa.

E isso vale para praticamente qualquer segmento.

Uma empresa de alimentos pode transformar uma crítica em campanha.

Uma marca de moda pode transformar uma tendência em posicionamento.

Uma empresa de tecnologia pode transformar uma dúvida em conteúdo.

Uma startup pode transformar o fato de ser desconhecida em uma narrativa de descoberta.

O segredo está em entender o que as pessoas estão falando e encontrar uma maneira inteligente de participar da conversa.


Conclusão: marcas que provocam, permanecem


A nova campanha da BYD é um bom exemplo de como o marketing contemporâneo pode utilizar humor, provocação, cultura digital e comportamento do consumidor para construir relevância.

Mais do que vender carros elétricos, a marca está participando de uma discussão sobre o futuro da mobilidade.

E existe uma grande diferença entre simplesmente anunciar um produto e criar uma conversa em torno dele.

Para as empresas, fica a lição:

Uma marca relevante não precisa agradar a todos. Ela precisa ser reconhecida, ter posicionamento e gerar significado para o público que deseja conquistar.

No cenário atual, em que consumidores são impactados diariamente por centenas de mensagens, ter uma identidade forte e uma estratégia de marca bem definida deixou de ser diferencial e passou a ser necessidade.


Quer construir uma marca profissional para sua empresa?


Na WeDoLogos, ajudamos empresas a desenvolver sua identidade visual de forma profissional e acessível, desde a criação da logo até aplicações e materiais de comunicação.

Porque antes de conquistar o mercado, sua empresa precisa conquistar um espaço na mente do consumidor.

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